O homem-lobo e a mulher-gato são os heróis do verão na “TV”
Três semanas atrás, a MTV estreou sua nova versão de Teen Wolf, aquele filme boboca dos anos 80 estrelado por Michael J. Fox. Esta semana, foi a vez de The Nine Lives of Chloe King mostrar uma adolescente duas vezes gata: uma porque é, bem, gata, outra porque descende de uma raça de, hum, seres felinos. Caramba, a TV ficou obcecada por uma espécie de mundo pet!
Me impressionou a forma como os clichês vão se empilhando nesses seriados. A high school, o círculo de amigos, os caçadores da raça em questão: lobisomens ou Meis. É como se alguém fosse pegando os itens em uma prateleira para montar uma mitologia genérica e só fosse mudando os nomes dos arquétipos. Pode ser divertido e, em algum ponto, uma boa idéia pode criar uma desejável divergência que torne o pacote original. Mas vamos combinar que começa mal quem já chega com tanta preguiça mental.
Chloe quer muito ser Buffy. Escalou gente bonita por todos os cantos, mas os atores em geral são bem ruins e a direção é muito primária, com takes óbvios, expositivos, quase didáticos. Teen Wolf é um pouco mais caprichadinha. Ambas vão, provavelmente, confrontar nossos heróis com outros monstros da semana. Não prometem nada de novo, né?
É curioso como hoje a gente vai criando patamares. Qualquer série, mesmo a mais primária, é mais bem acabada que o melhor capítulo de uma novela. Mas entre as séries, há claros patamares de excelência em direção, diálogos, produção. As séries de primeira linha do primetime estão muito além das ambições desses seriados mais simples. E a HBO está tipo uns bons dois andares acima de qualquer esforço. Game of Thrones que o diga.
Ambas bebem também na fonte de personagens como Homem-Aranha, o adolescente que se descobre especial. A sacada da Marvel de transformar poderes incríveis em maldição também está presente: é um barato ter a agilidade de um gato ou um lobo, ser mais forte, cheirar ou ouvir melhor. Mas o fato é que, pelo menos na mitologia perpetuada pela Marvel, esses poderes cobram sempre um preço. Isso me cansa um pouco. Gosto da frase que um amigo costuma usar e que define o espírito de melhor dos mundos: prefiro ser rico e saudável a ser pobre e doente. Mas sem drama, sem conflito, não há história. Então dá-lhe problemas malucos para Chloe e Scott.
Agora… A despeito de tudo, alguém tem uma boa teoria para termos tantos humanos misturados com animais por aí? É o efeito Crepúsculo? É algo mais profundo que, aliás, tornou Crepúsculo um sucesso?
